Saindo do eixo
Um, dentre vários outros problemas, que pessoas com transtornos mentais sobre – e que tem me afetado muito nos últimos tempos – é a inabilidade de poder confiar no que sente. Parece injusto, duro e dramático, mas não é. Deixe-me explicar.
Quando não estamos bem,
precisamos dizer onde dói, qual problema nos aflige, pois sem saber qual é ou
de onde vem o problema, não há como encontrar a solução. Pense comigo, se um
mecânico abre o automóvel, não dá pra sair arrancando tudo, se o encanador
chega para concertar os canos de uma casa, não dá para retirar e repor todos
logo de cara, se uma professora quer o silêncio, é preciso saber quem há de ser
o barulhento da turma.
Para tudo há uma raiz.
Nada acontece sem motivo. Para tudo tem uma razão.
Para aqueles que sofrem
de ansiedade e tem a depressão como consequência – como é o meu caso, ou para
aqueles que sofrem com vários outros transtornos mentais é mais complicado
identificar a fonte do problema, ou saber se há de fato um problema externo.
Pense que é como se você
estivesse recebendo uma determinada “energia”, só que essa energia começa a se
demonstrar instável, demasiada e que ela vai pouco a pouco, te danificando, até
que você não se sente bem e percebe que essa sobrecarga de energia está te
fazendo mal e tem algo errado. Só que ao invés de energia, são nossas emoções,
com as quais não sabemos sempre lidar.
Para nós, não há como
saber se um problema de fato causou a sobrecarga de emoções ou se somos nós,
que já somos tão danificados e não temos condições de lidar com o que nos
aparece.
Eu não sei alguém me
aborreceu e eu reagi, ou se a pessoa não fez nada de errado e sou eu quem,
simplesmente, não está bem. Não sei se o que eu sinto veio como reação á alguma
coisa, alguém ou algum lugar, ou se o “erro” está só em mim.
Não me entenda mal. Sei
que eu devo controlar como vivo, e devo mencionar o poder que dou as pessoas,
as coisas, aos acontecimentos e as emoções que emergem em mim. Mas somos
somente humanos. Sentimos. Pensamos. Sofremos. E no nosso caso – no meu caso –
fazemos tudo isso em excesso. E como vocês já sabem, o excesso é um perigo.
Então, fica aqui minha
reflexão: existe de fato um problema nas situações que vivenciamos, ou somos
nós que não estamos aptos a lidar com o que nos acontece?
Creio – preciso crer –
que tudo faz parte de um processo. E que esse processo é mais complicado e
doloroso para alguns, seja isso justo ou não. Acredito, do fundo do meu
coração, que tem sim a famosa e clichê “luz no fim do túnel” e que um dia,
poucas serão as coisas que irão me abalar e me tirar do meu eixo. Mas, olha, tá
difícil construir esse eixo.
Bruna Frisso
Junho/ 2022
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