Uma enxurrada de sentimentos
Tem um tempo que eu não escrevo. Talvez pela correria da vida, talvez pelo medo de me deparar com aquilo que colocarei para fora através do que me liberta de sentir em excesso. Talvez, ainda, pelo impulso de me controlar e tentar sentir menos, pra me encaixar em espaços que não são meus.
Há uma certa atração naquilo que não se
pode ter, seja um amor que uma vez foi seu e agora não é mais, seja em uma
amizade cuja intimidade desgastou-se. A necessidade de agradar é um tormento,
uma necessidade infundada, cruel e injusta. Queria eu não tê-la mais.
Queria eu ser dona de mim, do que
sinto, falo e penso. O que sinto, parece transbordar e portanto, não ser mais
meu. O que falo é regido pela vontade, senão urgência em acertar e conquistar,
falar a coisa certo, no momento certo, para a pessoa certa. E o que penso...
ah! o que penso, isso já é de minha ansiedade, de minha mistura de excessos,
excesso de futuro e de passado, que tão irreverentemente me mantêm distante do
meu tão temido presente.
Será que estou fazendo jus às minhas
promessas para mim mesma? Será que estou de fato louca? Repetindo os mesmos
comportamentos esperando diferentes resultados? Quando será que encontrarei o
amadurecimento e a plenitude de quem de fato se acolhe?
Temo não ser nem tão cedo, temo não
gostar de mim e temo priorizar os outros ao invés de mim e ser egoísta ao mesmo
tempo, em minha jornada árdua ao autoconhecimento. Mas temo, acima de todas as
coisas, permanecer no desconhecido, no limbo, em cima do muro, sem aproveitar o
que nenhum dos lados tem a oferecer e sofrer o que ambos me proporcionam.
Tendo a dor, ao excesso, a dramaturgia,
a intensidade, a luta e ao desgaste. Mas os quero. Quero ser leve, impetuosa,
corajosa, magnética e única. Quero ser a mim mesma. Quero identificar-me nas
pequenas coisas e descobrir mais de mim todos os dias. Quero aproveitar o dia
comigo mesma e dividir com quem quiser uma felicidade espontânea.
Quero ser exemplo aos meus alunos e
aqueles que eu amo de algo bom e fácil. Quero ajudar a desnaturalizar a
dificuldade e a dor. Mais do que nunca quero aprender a viver e a sentir o que
de fato sinto, sem precisar me podar para agradar.
Quero não querer ninguém e ao mesmo
tempo querer todos, quero ser suficiente, mas não estar sozinha nunca. Quero
ser necessária, mas não insubstituível. Quero a alegria da honestidade e a
felicidade de quem se encontrou.
Bruna Frisso
Maio/ 2021
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